Raridade e Documento Histórico

Tema: Exposições/Exhibitions
Contactos:
Rua Walter Bensaúde, 14
9900-142 Horta

Telefone: 292 202550
Fax: 292 391344

Data: 2026-07-01 até 2026-07-31
Hora: 09:00

Local de Realização: Biblioteca Pública e Arquivo Regional João José da Graça
Ilha: Faial

Concelho: Horta

No âmbito das celebrações do Dia Mundial das Bibliotecas, que se assinala a 1 de julho, a Direção Regional da Cultura, através da Biblioteca Pública e Arquivo Regional João José da Graça (BPARJJG), apresenta publicamente o “Documento Histórico” e a “Raridade” do mês. A mostra estará patente na vitrine da Sala de Leitura da instituição, na Horta, durante todo o mês de julho de 2026.

A seleção de julho centra-se no contributo científico e editorial do historiador, genealogista e bibliófilo micaelense Ernesto do Canto (1831–1900), cuja obra permanece como um dos pilares fundacionais da moderna historiografia açoriana.

Como Documento Histórico, a BPARJJG destaca a “Carta de Francisco Caldeira de Brito: escripta em Madrid...", editada autonomamente por Ernesto do Canto em 1880. O documento oferece um testemunho singular sobre os bastidores políticos e as tensões internas no círculo de exilados que apoiavam D. António, Prior do Crato, após a crise sucessória de 1580. Caldeira de Brito, que atuou como embaixador da causa antonina junto de várias cortes europeias e do Mediterrâneo, redigiu um texto de carácter memorialístico no qual expõe divergências, queixas de ingratidão e as razões do seu posterior afastamento do movimento de resistência à dominação filipina. A edição inclui ainda uma introdução crítica de Ernesto do Canto, que adverte o leitor para a necessidade de analisar a fonte com prudência metodológica.

Simultaneamente, a Raridade do mês exibe a “Bibliotheca Açoriana (1889–1890)”, obra em dois volumes na qual Ernesto do Canto inventariou e analisou criticamente a produção intelectual, impressa e manuscrita, nacional e estrangeira, concernente ao arquipélago dos Açores. Concebido como um instrumento científico de referência para investigadores, este roteiro bibliográfico complementa o “Archivo dos Açores (1878–1892)”: enquanto este último se dedicou à salvaguarda e publicação de fontes documentais primárias, a Bibliotheca Açoriana organizou de forma sistemática a memória bibliográfica das ilhas.

Com esta iniciativa, a Direção Regional da Cultura visa não só divulgar o património documental à guarda dos arquivos regionais, mas também assinalar a importância da preservação e do livre acesso às fontes para a compreensão da história política e cultural dos Açores.