A rubrica “Um Olhar Periódico” do corrente mês de fevereiro evoca a solene homenagem prestada pela população da freguesia de Santa Bárbara das Nove Ribeiras, ilha Terceira, ao Coronel Fernando Augusto Borges, ocorrida a 18 de setembro de 1932. Este tributo público constituiu um reconhecimento da sua distinta ação política e do seu empenho incondicional na defesa dos interesses da população. O momento foi perpetuado através da inauguração de uma lápide comemorativa, que atribuiu o nome do oficial ao Largo da Igreja de Santa Bárbara, numa cerimónia que reuniu as mais proeminentes individualidades da época, designadamente o Governador Civil, o Governador do Bispado, o Comandante Militar dos Açores e o Presidente da Junta Geral.
Coronel Fernando Augusto Borges
Natural da freguesia de Santa Bárbara, na ilha Terceira, Fernando Augusto Borges consolidou uma carreira de excecional relevo nos domínios militar e civil. Tendo assentado praça como voluntário em 1897, concluiu o curso de Infantaria na Escola do Exército no ano de 1900. O seu percurso castrense foi pautado por uma ascensão contínua, atingindo o posto de Coronel em 1926 e, culminando a sua carreira, as patentes de Brigadeiro e de General em 1938. Nos primeiros anos da sua atividade, esteve colocado na guarnição do Castelo de São João Baptista do Monte Brasil, em Angra do Heroísmo, onde acumulou as funções militares com o magistério, servindo como professor e secretário do Liceu Nacional de Angra do Heroísmo.
No plano ideológico e político, o General Fernando Borges pautou a sua atuação por princípios conservadores e nacionalistas, estreitamente vinculados aos valores do catolicismo. Iniciou a sua intervenção pública como apoiante do sidonismo, exercendo o cargo de Chefe de Gabinete do Secretário de Estado da Guerra durante o governo de Sidónio Pais. No contexto da Primeira Guerra Mundial, assumiu a Direção da Censura Militar à Imprensa, demonstrando precocemente a sua aptidão para funções de alta responsabilidade institucional.
O seu papel na estabilização política nacional foi determinante quando, na primavera de 1931, foi incumbido de comandar as forças expedicionárias enviadas para combater a "Revolta das Ilhas". Após assegurar a rendição dos revoltosos, foi nomeado Delegado Especial do Governo nas Ilhas Adjacentes, cargo que desempenhou com reconhecida eficácia na pacificação do arquipélago. Com a institucionalização do Estado Novo, integrou a Assembleia Nacional como deputado em duas legislaturas (1935-1938 e 1942-1945), representando o círculo do Distrito Autónomo de Angra do Heroísmo.
Pelo seu mérito e dedicação ao serviço público, foi agraciado com elevadas condecorações, de entre as quais se destacam os graus de Grã-Cruz da Ordem de Avis e de Grande Oficial da Ordem de Cristo.